sábado, 16 de janeiro de 2016

Nada muito

Estou tendo dificuldade em vir escrever aqui. Estou sentido minha vida sem sentido novamente, e por consequência, eu sinto que não tenho nada pra compartilhar. Na verdade eu tenho várias coisas pra compartilhar, histórias, pensamentos, conversas... mas eu não me sinto bem em "revirar" essas coisas pra postar aqui. O importante no momento é que eu estou aceitando que é minha característica querer segurança quando estou me envolvendo com alguém. Eu não posso simplesmente me forçar a estar em uma situação como a que eu estava com M, e não tem problema nisso. Essa é a maneira como eu funciono, eu não  posso me sacrificar pra ser o que a outra pessoa quer que eu seja. Isso é uma coisa que eu tenho que aprender de uma vez! Eu tenho que parar de me apagar toda vez que eu gosto de alguém. Eu não sei como eu vou fazer isso tho.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Perspectiva

Hoje eu tinha que ter ido no centro pra resolver uns problemas pro meu pai. Não consegui ir. I. me chamou pra passar a tarde na sua casa, e eu usei a desculpa de que eu tinha que me despedir dela pra fugir do pânico que seria ter que andar sozinha pelas ruas do centro da cidade. O que é bastante frustrante, já que o centro foi por bastante tempo o meu lugar de paz.
Ir conversar com I. foi definitivamente uma escolha melhor. Poder chorar e falar sobre tudo que estava me deixando mal, me ajudou a criar um pouco de perspectiva. Eu estou um pouco mais calma agora, pelo menos consigo pensar em outras coisas além do que está me fazendo mal. É uma pena que I. esteja indo embora.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Feridas

Meu dia foi muito bom, mas eu estou tentando digerir ele ainda.
Resumindo, eu me encontrei com N. no shopping para entregar currículos, comemos um temaki, eu encontrei uma outra amiga minha (que eu não via há muito tempo) no shopping, e na hora de ir embora encontrei outra amiga (que também não via há muito tempo) e acabei fazendo quase todo o trajeto de volta pra casa com ela.
Agora vamos para os detalhes:
1. Quando cheguei no shopping, N. não estava no lugar combinado; ela estava em outro lugar, que eu não sabia onde era. Eu tive que ficar andando pelo shopping procurando ela e isso acabou despertando minha ansiedade. Me tranquei um um banheiro e fiquei chorando por vários minutos, enquanto N. me mandava mensagens perguntando onde eu estava. Quando finalmente eu tive coragem de sair do banheiro, consegui encontrá-la.
2. Depois de entregar os currículos, fomos comer, nos sentamos e começamos a conversar. Falamos sobre depressão, abusos e relacionamentos. Quando disse que tinha estragado tudo com M., ela me disse "você sabe que ainda não é tarde demais" e eu disse que não existia essa opção... não que eu não quisesse, mas não tinha como acontecer... eu não sei se ela entendeu o que eu quis dizer.
Enfim, essas coisas todas estão revirando na minha cabeça, eu simplesmente não consigo parar de chorar. Estou me sentindo extremamente perdida e sozinha novamente, e eu não sei o que fazer. eu não tenho com quem conversar; queria falar com minha psicóloga, mas não acho que seria conveniente.
Meu dia foi muito bom, mas no final eu tenho tantas feridas abertas que eu não estou conseguindo suportar.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Uma pessoa decente

Ontem eu perguntei pros meus amigos qual era a característica que mais de destacava em mim. 
T.: sensibilidade artística e estética.
C.: você super sassy, hoje em dia está mais melancólica, tipo heroína de romance romântico.
I.: super estilosa, tanto na aparência como nos gostos.
Realmente eu não esperava nenhuma dessas respostas. Nunca achei que essas fossem as coisas que mais se destacam em mim. E depois de um tempo isso começou a me incomodar, por soarem características superficiais, mas eu não sei se posso reclamar, já que em geral eu sou uma pessoa bem fechada. 
Porém uma resposta me surpreendeu demais, a resposta de S., de quem eu ainda não falei aqui... mas enfim...
"Você aceita "bondade" como resposta? Talvez seja projeção minha, mas eu te vejo como uma pessoa irremediavelmente boa, haha L., sabe aquele aquele meme "too pure for this world", então. Mas eu acho que não é projeção, não. Dá pra ver pelo tanto de culpa que você sente." 
Foi muito estranho ler isso quando no mesmo dia eu tinha discutido com minha psi sobre como eu me acho uma pessoa ruim e egoísta. Chegamos a uma conclusão de que eu me sinto ruim e egoísta por causa da minha relação com minha mãe, afinal, egoísta é uma das palavras que ela mais usa pra me descrever. Porém, não é como se eu fosse egoísta com as outras pessoas ou com, sei lá, meus animais... Em geral eu sou alguém que se importa e faz de tudo pra ajudar alguém quando eu vejo que precisa de ajuda. Até de uma maneira prejudicial pra mim às vezes. Então eu estou tentando me convencer que, em relação a isso pelo menos, eu ou uma pessoa decente. 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Despedidas

Um dia que começa com a notícia da morte de Bowie não tem como ser bom.
Fui na psi hoje, quando cheguei lá encontrei I. que ficou lá até um pouco mais tarde pra se despedir de mim. Sim, nós vamos na mesma psicóloga, assim como C. Enfim, I. está voltando pra europa. Eu levei um susto, pois não tinha me tocado da data, pra mim que eu ainda tinha mais tempo com ela... Foi bem triste ter que dizer tchau de novo, até pq parece que faz pouquíssimo tempo que ela está aqui. Pelo menos eu pude me despedir...
Minhas metas pra essa semana são as mesmas da semana passada, já que eu não cumpri nenhuma, e mais uma: procurar cursos de capacitação gratuitos. Já marquei com N. de ir entregar currículos na quarta, vou ver se ligo pra um psiquiatra amanhã. Essa semana eu vou tentar não ser tão inútil.

domingo, 10 de janeiro de 2016

30 dias

Não tenho muito o que escrever aqui hoje, mas por pelo menos 30 dias vou escrever aqui todos os dias, então...
Hoje eu não fiz nada de útil com a minha vida. O clima está horrível, meu cabelo está horrível, meu humor também. Durante todo o dia me senti mal comigo mesma, me senti vazia... Um pouco pelo que aconteceu ontem, um pouco pq eu não sei o que fazer com minha vida... meu otimismo foi embora.
Ontem a noite, um moço veio falar comigo (não vou nem colocar nome nele, pq eu sei que não vai rolar nada), ele veio me perguntar como anda minha vida, dizer que se eu quiser conversar com ele ele está disponível, que se eu quiser a gente pode marcar um dia pra conversar e fumar um. Ele tem acesso a minhas redes sociais e ele sabe que eu tenho passado por problemas, ele só quer conversar. Outro moço também veio falar comigo, me mandou uma foto dele pelado sem eu pedir.... What?
Minha mãe está tendo o pior tipo de atitude que ela podia ter. Ela está descontando todo o estresse dela no meu pai. Sim, eu tenho meus problemas com ele, eu ainda me sinto muito mal pelas palavras dele, mas ele não merece o tratamento que minha mãe tem dado a ele. Meu pai tem cuidado dela, levado ela aos lugares, pagado exames, comprado remédios, feito curativos há mais de um mês já. Ele faz tudo que ela pede, e mesmo assim, ela continua reclamando de tudo. Pq ela não consegue simplesmente ser grata por tudo que ele tem feito e parar de reclamar um pouco? Ele não tinha mais nem obrigação de fazer tudo isso, considerando que eles não são mais casados.
Nessas horas eu lembro pq eu não tenho mais a mínima vontade de ser "companheira" dela, de ajudar ela, de ficar ali do lado dela... pq eu já tentei tudo isso, e descobri cedo que não adianta eu me esforçar, pq nunca nada vai estar bom pra ela. Não importa o que eu fizer, eu nunca vou deixar de ouvir reclamações pq eu podia ter feito mais.
Enfim, meu dia foi bem lixo. Eu estou perdida, vazia, irritada e sem sentido pra minha vida. Tenho pessoas supostamente interessadas em mim, mas eu não tenho a capacidade de desenvolver isso. Minhas amigas não falam comigo há dias. Está tudo voltando a ser a merda de sempre.


sábado, 9 de janeiro de 2016

Meu corpo e eu

Estou me sentindo um lixo, por dois motivos:
O primeiro é que fui exposta a opiniões de homens que tem um julgamento bem ofensivo sobre a diversidade de corpos das femininos. Acho que essa frase não fez muito sentido... bem, sabe aquele grande número de homens que enchem a boca pra dizer que não pegam mulheres gordas, ou mulheres de "tetas" pequenas, ou mulheres com sei lá qualquer outra característica comum a várias mulheres? Esse tipo de opinião! Esses comentários sempre acaba me deixando mal, pq em geral, eu tenho as características tão odiadas por esses homens.
Na maior parte do tempo eu não me acho muito feia. Não me acho linda, mas não me acho muito feia também. Eu consigo conviver com imagem no espelho, por mais que eu não ache ela a mais agradável. Mas quando eu vejo esse tipo de comentário eu começo a odiar os pequenos detalhes de mim. Eu começo a reparar nessas pequenas características, e nada mais importa... Não importa mais que me rosto possa até ser agradável, pq quando eu tirar minhas roupas, eu não vou ser o que é esperado e apreciado. Meus peitos não vão ser os certos, minha barriga não vai ser a certa, meus pelos não vão ser os certos, minha bunda não vai ser a certa, minhas pernas não vão ser as certas.
Durante vários anos eu tive a desagradável experiência de conviver com meninos me dizendo o quanto eu era feia. Eu convivi com as piadas sobre como meu cabelo era ruim, e como eu era gorda, e como eu era tão feia que eles não iam me querer nem pra chupar o pau deles, e como meus peitos eram ridículos por serem pequenos. Pro cabelo, escova progressiva... pra gordura, roupas largas pra disfarçar... pra cara, maquiagem... pros peitos, enchimento. Eu sobrevivi.
Na faculdade comecei a conhecer o feminismo, e seu lindo empoderamento. O mais incrível, foi conhecer mulheres que de fato vivem o empoderamento, e poder conhecer elas e a história delas... ver que elas eram como eu, que eu de fato podia amar o meu corpo também. A desconstrução do padrão midiático, entender o quanto somos manipulados pra ver beleza apenas no que é conveniente ser bonito, entender que eu não tenho a obrigação de "ser bonita", pq essa não é minha função na terra, nem a de nenhuma outra mulher.
Mesmo assim, até hoje eu não fui capaz de me empoderar completamente. A ideia de ser rejeitada por uma característica física minha me assombra até hoje. Passei minha adolescência numa igreja, cercada de meninas muito mais bonitas do que eu, e mesmo assim, em todo encontro alguns minutos eram gastos pra autodepreciação de todas. Durante esse 4 anos eu não fiquei com menino nenhum, eu reprimia minha sexualidade ao máximo, pois a intenção era só transar depois do casamento (e eu sempre pensava que ia morrer virgem mesmo). Durante esses 4 anos, apenas minhas amigas bonitas tinham namorados, pq só meninas bonitas tinham o direito de serem desejadas, e o único contato que eu tive com relacionamentos foi através da imagem ridiculamente distorcida que a mídia passa de como isso tudo funciona, e que meus amigos, tão perdidos quanto eu, reproduziam.
Foi um grande susto pra mim quando, já com vinte ou quase vinte anos, eu descobri que um cara não se importaria se eu não tivesse totalmente depilada; e não apenas pq ele estava louco pra me comer de qualquer maneira, mas pq ele realmente não se importava. Até então, na minha cabeça, depilação total era requisito básico pra sexo. Outro susto foi quando outro cara me falou que meu tipo de peito era o favorito dele. Essas coisinhas esquisitas que eu escondo debaixo do sutiã??? Como alguém podia amar aquilo? Ninguém com peitos assim vai para em capa de revista!! (não por beleza, pelo menos).
Enfim, apesar de hoje em dia eu ter consciência de inúmeras coisas que a pobre L. adolescente não sabia, eu continuo pensando muitas vezes antes de tirar as roupas na frente de alguém, e continuo olhando decepcionada pra mim mesma na frente do espelho. E quando situações como a de hoje acontecem, eu me lembro de que a possibilidade de alguém me rejeitar por causa de uma pequena característica do meu corpo é bem real. A paranoia deixa de ser algo só da minha cabeça e é confirmada por muita gente ao meu redor.
E aí tem o segundo motivo de eu estar me sentindo um lixo. Pq honestamente, homem que rejeita mulher por causa de celulite não é o tipo de pessoa com quem eu quero ficar, certo? Então pq mesmo assim eu me importo? Pq mesmo assim eu me ofendo? Pq mesmo sabendo de tantas verdades, eu continuo caindo na mesma ilusão de quando eu era adolescente? Pq eu não consigo simplesmente aceitar meu corpo como ele é, e ser mais feliz?